COMETA ou METEORO?

 

Prof. Renato Las Casas (31/janeiro/2011)

   

         As palavras “Cometa” e “Meteoro” são muito “populares”. Você já reparou, por exemplo, o grande número de empresas, nos mais diversos ramos, com esses nomes?

         Apesar de tamanha popularidade, é muito comum encontrarmos pessoas que não fazem distinção entre esses dois fenômenos astronômicos. Cometas e Meteoros têm visuais parecidos, mas são fenômenos muito diferentes.

 

 

Comparando Cometas e Meteoros

 

LOCALIZAÇÃO

         Os cometas se movem no meio interplanetário, a centenas de milhares de quilômetros da Terra. Os meteoros são fenômenos que acontecem na atmosfera de nosso planeta.

 

TAMANHO

       O núcleo de um cometa é uma pedra que em geral possui vários quilômetros de diâmetro. A grande maioria dos meteoros que vemos é produzida por pedras menores que um centímetro.

 

TEMPERATURA

         O núcleo de um cometa é uma pedra de gelo. O meteoro é produzido por uma pedra em ignição.

 

DIREÇÃO DA CAUDA

         A cauda de um cometa está sempre no sentido oposto ao que o Sol se encontra. A cauda (?) de um meteoro está ao longo de sua trajetória.

 

DURAÇÃO

         Vemos um cometa no céu, em seu movimento nas proximidades do Sol e de nosso planeta, durante vários dias; semanas ou mesmo meses seguidos. Vemos um meteoro durante poucos segundos.

 

O que são os Cometas?

 

         Essencialmente, cometas são "pedras de gelo sujo". O gelo dessas pedras é formado principalmente por material volátil (passa diretamente do estado sólido para o estado gasoso) e a "sujeira" é constituída principalmente por poeira e pedras (dos tamanhos mais variados).

         Cometas são objetos do Sistema Solar (estão presos gravitacionalmente ao Sol). Ao contrário dos planetas, cujas órbitas são quase circulares (a distância de um planeta ao Sol varia pouco), os cometas têm órbitas muito elípticas, o que realça o seu aproximar-afastar do Sol. Quanto mais distante for o afélio de um cometa (ponto de sua órbita mais distante do Sol) mais tempo o cometa levará para dar uma volta completa em torno do Sol.

 

 

       Quando essa "pedra de gelo sujo" (o núcleo do cometa) vai se aproximando do Sol, a temperatura em sua superfície vai aumentando. O dióxido de carbono (CO2, "gelo seco"), que é um dos principais constituintes dos cometas, sublima (torna-se gás) a -53oC. Normalmente os cometas passam a maior parte de suas "vidas" a distâncias tão grandes do Sol que suas temperaturas são muito inferiores a essa.

         Quando se aproxima suficientemente do Sol dá-se início ao processo de sublimação de parte dos constituintes dos cometas. Os gases e grãos libertos do núcleo, devido a esse processo, formarão uma nuvem a sua volta. Chamamos essa nuvem de cabeleira (ou coma) do cometa. Parte do material dessa nuvem será "soprado" pelo "vento solar" no sentido contrário ao que o Sol se encontra, formando a cauda do cometa.

         Em termos de Sistema Solar, a Terra se encontra próxima do Sol. Quando um Cometa se aproxima de nosso planeta, por também ter se aproximado do Sol, ele se aproxima portando cabeleira e cauda.

         Em geral, por volta de 5 UA do Sol, a luz refletida pelos grãos de poeira da cabeleira do cometa, somada à luz emitida pelas moléculas também de sua cabeleira  (processo de fluorescência onde as moléculas absorvem radiação ultravioleta do Sol e emitem luz visível), passam a ofuscar a nossa visão do núcleo do cometa. O que vemos de um cometa, nas regiões internas do Sistema Solar, são a sua cabeleira e a sua cauda.  

 

O que são os Meteoros?

 

        Por todo o espaço interplanetário vagam “pedras” (rochosas ou metálicas) com diâmetros que variam de poucos metros até frações de milímetro. A essas “pedras” damos o nome de meteoróides. Pedras bem maiores (algumas com centenas de quilômetros de diâmetro) chamamos de asteróides. Os meteoróides consistem principalmente de fragmentos de asteróides ou restos de cometas e suas quantidades aumentam significativamente à medida que seus tamanhos diminuem.

         À medida que a Terra se movimenta em sua órbita em torno do Sol ela vai "capturando" milhares e milhares de meteoróides. Centenas de toneladas de meteoróides caem na Terra diariamente. Quando um desses objetos cai em nossa atmosfera, devido a sua alta velocidade, o atrito com o ar vai aquecê-lo até derretê-lo e, em alguns casos, quebrá-lo. Se a queda ocorre na parte noite da Terra, a incandescência decorrente da fusão desse meteoróide riscará o céu. A esse fenômeno damos o nome de meteoro ou popularmente de "estrela cadente".

 

 

         A grande maioria dos meteoros que vemos é devido a meteoróides cujos tamanhos variam entre um grão de arroz e um grão de milho. Essas partículas são completamente destruídas ainda na atmosfera, não chegando nenhuma parte intacta ao solo.

        Meteoróides menores que um grão de arroz são destruídos ainda na estratosfera, não produzindo a luminescência característica de uma estrela cadente.

        Meteoróides cujos tamanhos vão de um grão de milho ao de uma melancia, dependendo de suas constituições; velocidades; direção de entrada na atmosfera; etc., podem ter suas crostas fundidas durante a queda, mas uma parte interna chegar intacta ao solo.

         Partes internas de meteoróides maiores que uma melancia, normalmente chegam intactas ao solo. A parte do meteoróide que sobrevive à queda é denominada meteorito.

         Note que chamamos meteoróide à “pedra” ainda no meio interplanetário; chamamos meteoro (ou estrela cadente) ao risco luminoso que essa pedra produz em nossa atmosfera quando cai em nosso planeta e chamamos meteorito à parte dessa pedra que sobrevive à queda e podemos assim tomar em nossas mãos.

 

Chuvas de Estrelas Cadentes

 

       Em qualquer noite de céu aberto, se em condições apropriadas de observação, poderemos ver em média uma dezena de meteoros cruzar o céu, por hora. Ocorrem isoladamente em qualquer parte do céu e os riscos que fazem no céu têm orientação aleatória.

         Durante o ano, entretanto, existem algumas noites em que o número de meteoros aumenta consideravelmente e os riscos que deixam no céu parecem divergir de um único ponto do céu. A esse ponto do céu damos o nome de ponto de radiância e a esse fenômeno de chuva de meteoros (ou chuva de estrelas cadentes). Durante uma chuva de meteoros se marcarmos em um mapa do céu os riscos observados, veremos que os prolongamentos de todos esses riscos se encontrarão em um único ponto, o ponto de radiância. O nome que damos a uma chuva de meteoros diz respeito à constelação onde se localiza o radiante daquela chuva. Chamamos de Perseiades à chuva de meteoros que tem o radiante na constelação de Perseus; Leoniades, à chuva que tem o radiante na constelação de Leão; etc.

         As chuvas de meteoros ocorrem quando a Terra cruza ou tangencia a órbita de algum cometa, mesmo o cometa não estando por perto. Ao longo de sua órbita um cometa está constantemente liberando grãos e fragmentos. A taxa de liberação desses grãos e fragmentos aumenta à medida que sua distância ao Sol diminui. Esses grãos e fragmentos irão descrever órbitas semelhantes à órbita do cometa e ocuparão um volume do espaço em torno dessa órbita. Uma chuva de meteoros acontece quando a Terra passa por essas regiões onde gravitam "restos" deixados por cometas. Os meteoros serão produzidos pela queda de parte desses grãos e fragmentos em nosso planeta.

 

 

 

          As chuvas de estrelas cadentes previstas mais intensas para 2011 são:

 

Nome

Máximo

Lua

Liríades

21 de Abril

Nasce depois da ½ noite

Eta Aquaríades

5 de Maio

Se põe no início da noite

Perséiades

13 de Agosto

Cheia

Draconíades

8 de Outubro

Se põe perto da ½ noite

Orioníades

21 de Outubro

Nasce perto da ½ noite

Leoníades

17 de Novembro

Nasce perto da ½ noite

Geminíades

13 de Dezembro

Cheia

           

         O ideal é observarmos chuvas de estrelas cadentes sem a presença da Lua no céu.

          A luz da Lua espalhada nas partículas e na umidade da atmosfera, diminui o contraste do céu, fazendo com que não vejamos os meteoros menores e os maiores, vejamos menos intensos.

 


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