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Constelação de Touro
Fernando Costa (Monitor OAFR)
03/02/09
Introdução
A constelação de Touro é uma
das mais facilmente identificáveis no céu. Muitos já devem ter visto um conjunto
de estrelas muito brilhantes designado por 'sete irmãs'. Pois elas se localizam
exatamente na constelação do Touro, que ainda traz outros objetos muito
interessantes, como a estrela Aldebarã, ou olho de touro, as Híades e a famosa
nebulosa do Caranguejo. Estamos na melhor época do ano para observar esta
constelação, o verão, pois é quando ela mais se destaca no céu, nascendo a leste
por volta de 18 horas e estando visível praticamente a noite toda.

Mitologia
Segundo a mitologia grega, há muito tempo atrás,
havia no reino de Tiro, um rei, Agenor, cuja filha era muito bela. Seu nome era
Europa, e Zeus se apaixonou perdidamente por sua beleza. Queria possuí-la a
qualquer preço. Movido por essa determinação, Zeus decidiu utilizar-se de seu
estratagema principal, ou seja, o de se metamorfosear de algum ser ou coisa. Por
alguma razão, Zeus jamais aparecia diante das suas eleitas na sua forma pessoal,
preferindo assumir sempre outra aparência qualquer. Assim, depois de muito
pensar, decidiu transformar-se num grande touro, branco como a neve. Em uma das
praias de Tiro onde um grupo de moças se divertia, entre elas, Europa, a calma
das jovens foi abalada pela aparição do touro branco, assustando o grupo. De
todas as moças a única que não foge é Europa, que se aproxima do touro e
acaricia o pêlo alvo do animal e o enfeita com flores. Quando as moças ganham
confiança e se aproximam, o touro se levanta e foge em direção ao mar, a galope
sobre as ondas, com Europa no dorso.

Pintura retratando o rapto de Europa pelo
Touro
Europa pede socorro às companheiras, mas o touro, correndo dia e noite sem
parar, nadou até uma praia em Creta, onde se abaixou para que a jovem pudesse
descer. Aí Zeus retoma a sua forma divina e une-se a Europa que, com o tempo, dá
a ele dois filhos, entre eles Minos, futuro rei de Creta e pai do Minotauro. O
Touro brilha até hoje no céu como uma constelação, para recordar essa união.
Aldebarã
A estrela Aldebarã (ou alfa
Tauri) é a estrela mais brilhante da constelação de touro. É conhecida
popularmente como o olho do touro, pois sua localização na imagem sugerida para
a constelação ocupa sensivelmente a posição do olho esquerdo do Touro mítico.

O seu nome provém da palavra árabe al-dabarān que significa "aquela que segue" –
referência à forma como a estrela parece seguir o aglomerado das Plêiades
durante o seu movimento aparente ao longo do céu. Aldebarã é uma das estrelas
mais facilmente identificáveis no céu noturno, tanto devido ao seu brilho como à
sua localização. Identificamo-la rapidamente se seguirmos a direção das três
estrelas centrais da constelação de Orion (designadas popularmente por “três
Marias”), da direita para a esquerda, no hemisfério sul – Aldebarã é a primeira
das estrelas mais brilhantes que encontramos no seguimento dessa linha. É uma
estrela de tipo espectral K5 III (é uma gigante vermelha-laranja), o que
significa que tem cor alaranjada; tem grandes dimensões, e saiu da seqüência
principal do Diagrama HR depois de ter gasto todo o hidrogênio que constituía o
seu “combustível”. Atualmente, a sua energia provém apenas da fusão de hélio da
qual resultam cinzas de carbono e oxigênio. O corpo principal desta estrela
expandiu-se para um diâmetro de aproximadamente cerca de 40 vezes maior que o
Sol. Localiza-se a 65 anos-luz da Terra, e sua luminosidade é 150 vezes superior
à do Sol, o que a torna a décima terceira estrela mais brilhante do céu (0,9 de
magnitude).
Plêiades
O aglomerado estelar aberto das Plêiades é o grupo de estrelas mais brilhante em
todo o céu. As Plêiades também são conhecidas por vários outros nomes tais como
"Sete Irmãs", “Sete-estrelo” em algumas passagens bíblicas, como M 45 pela
classificação do catálogo Messier, e como "Subaru" no Japão.
O nome Plêiades deriva do grego plein, que significava a abertura e o fechamento
da estação da navegação entre os gregos. Na mitologia grega, as Plêiades são as
sete irmãs, filhas de Pleione e Atlas, perseguidas por Órion que estava
encantado com a beleza das moças, e que para escapar da perseguição do caçador,
recorreram aos deuses, que as transformaram em sete estrelas. Seus nomes eram:
Maia, Electra, Taígeta, Astérope, Mérope, Alcíone e Celeno.
Um modo fácil de localizar as plêiades no céu é tomando a reta formada pelas
estrelas Betegeuse (na constelação de Orion) e Aldebarã, ambas fáceis de ser
identificdas por ter cor avermelhada. Seguindo a reta chegaremos ao aglomerado
das Plêiades, bem no pescoço do touro.

As Plêiades, como é típico dos enxames abertos, constituem um grupo de estrelas
que se formaram a partir de uma mesma massa inicial de gás e poeira. Trata-se de
um enxame muito jovem: a sua idade é estimada em 100 milhões de anos, pelo que
terão nascido numa altura em que a Terra era dominada pelos dinossauros. Em
fotografias de longa exposição ainda é possível observar o que resta desse gás
inicial. O enxame compreende pelo menos 500 estrelas, predominantemente de cor
branco-azuladas e muito quentes, e situa-se a 380 anos-luz. Estima-se que durará
cerca de 300 milhões de anos para que as estrelas deste aglomerado se dispersem.
Híades
Nas proximidades das Plêiades, é possível observar outro aglomerado aberto,
ainda que menos espetacular: as Híades. Na mitologia grega, as Híades eram
filhas de Atlas e Etera, e, portanto irmãs das Plêiades pelo lado paterno. Os
antigos acreditavam que o nascer e o pôr helíaco das Híades estavam associados
às chuvas. A palavra Híades significa literalmente água ou chuva. As Híades têm
um formato em "V" simbolizando a cara do Touro, com a estrela Aldebarã
representando um olho.

Aldebarã, na realidade, não pertence ao aglomerado das Híades, mas devido ao
efeito de superposição, é impossível não associá-los, pois as suas estrelas
distribuem-se, aparentemente, em torno dela. Mas isso não passa de um efeito de
perspectiva - enquanto Aldebarã se situa a 60 anos-luz da Terra, as Híades
encontram-se a 150 anos-luz. Ainda assim, as Híades constituem o enxame aberto
mais próximo de nós. A rotação aparente da esfera celeste dá-nos a sensação de
que Aldebarã e as Híades seguem as Plêiades. Por essa razão, o nome árabe
daquela estrela, al-dabarān, significa “aquela que segue”.
Nebulosa do Caranguejo
A Nebulosa do Caranguejo (catalogado como M1, NGC 1952 ou ainda por Taurus A)
foi observada pela primeira vez em 1731, e é o remanescente de uma supernova
(resultado da morte de uma estrela massiva, que colapsou e explodiu liberando
uma enorme quantidade de energia) que foi registrada, como uma estrela visível à
luz do dia, por astrônomos chineses em 1054. Esta super estrela era o 3º corpo
mais brilhante no céu (contando com o Sol e a Lua) e pôde ser observada durante
o dia por mais de dois meses apesar de se encontrar a cerca de 6300 anos luz de
distância. A Nebulosa do Caranguejo se tornou o primeiro objeto astronômico
reconhecido como sendo ligado a uma explosão de supernova.
Sua magnitude aparente é de 8,4, não podendo ser vista a olho nu. No entanto,
não é difícil sabermos sua localização, visto que está bem próxima de um dos
chifres do touro, conforme mostra a figura abaixo.

No interior desta nebulosa, existe um pulsar (uma fonte de rádio) e que também
pode ser chamada de Estrela de Nêutrons, que gira rapidamente em torno de seu
eixo a uma velocidade de 30 vezes por segundo, diminuindo gradativamente esta
velocidade em razão da interação magnética com a nebulosa. A energia liberada à
medida que o pulsar desacelera é enorme e cria uma região incomumente dinâmica
no centro da Nebulosa do Caranguejo. Enquanto a maior parte dos objetos
astronômicos evoluem tão lentamente que mudanças somente são visíveis em escalas
de tempo de muitos anos, as partes internas do Caranguejo mostram mudanças em
escalas de tempo de apenas alguns dias.

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