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AS PERSÉIADES
Conforme salientado as Perséiades estão associadas ao cometa Swift-Tuttle cujo período é de 120 anos e cuja última passagem pelas proximidades do Sol se deu em 1992. O ponto de radiância dessa chuva se localiza na constelação de Perseus, uma vez que nessa época do ano, quando cruzamos a trajetória do Swift-Tuttle, essa é a direção para a qual a Terra se move. Nos últimos anos as Perséiades têm sido as mais intensas chuvas de meteoros registradas. Após a passagem de um determinado cometa, depois de algum tempo, de ano para ano a chuva de meteoros associada diminui de intensidade devido à dispersão dos restos deixados por ele. Em 1992, no máximo das Perséiades, foram registradas a queda na Terra de cerca de 400 meteoros por hora; cerca de 300 em 1993, 220 em 1994 e 200 em 1995. Para 1998 está previsto um máximo de 75 por hora. As melhores regiões para a observação de uma chuva de meteoros são aquelas nas quais o horário de máximo se dá entre a meia noite e as seis horas da manhã e onde não haja Lua nesse horário. Nesse ano teremos dois máximos que acontecerão às 17h do dia 12 e às 01h do dia 13; nesse último teremos Lua no céu com cerca de 70% de seu disco iluminado.
OBSERVANDO E FOTOGRAFANDO
Ao se observar uma chuva de meteoros é preciso se ter em mente que, ao contrário da chuva que estamos acostumados, em que as gotas de água caem simultaneamente, na chuva de meteoros o aparecimento deles ocorre de modo irregular e espaçado. Assim, a observação deve ser feita durante algum período de tempo. Para se obter uma boa observação visual, é preciso que se esteja em um local escuro, se possível longe da poluição luminosa, e que permita a visão desobstruída de uma grande região do céu. Locais altos e fora das grandes cidades como, por exemplo a Serra da Piedade, são os mais indicados, o que não impede entretanto que se observe em lotes vagos, praças, quintais, telhados, etc., dentro de alguma cidade, até mesmo dentro de Belo Horizonte. Nesse último caso serão visualizados apenas os meteoros mais brilhantes e não tão brilhantes quanto os veríamos em um local mais adequado. O observador deve se instalar confortavelmente, recostando-se ou mesmo deitando-se, de modo a poder ver bem uma grande região do céu. As condições ideais para a observação começam a existir após cerca de 20 minutos na escuridão, pois o olho estará então bem adaptado a ela e terá capacidade de ver meteoros fracos. Aí, é só apreciar o espetáculo. Por toda a noite, dezenas de meteoros por hora cairão na Terra. O número de meteoros visualizados aumentará muito entre meia noite e o amanhecer (nosso continente estará na parte da frente da Terra em seu movimento), sendo que aproximadamente a 1 da manhã estaremos cruzando a região de maior concentração de fragmentos deixados pelo Swift-Tuttle e conseqüentemente teremos o máximo dessa chuva. A constelação de Perseu, onde se encontra o ponto de radiância das Perséiades, nascerá a nordeste, por volta da meia noite. Também devido a uma questão de perspectiva, os meteoros visualizados próximos ao ponto de radiância, em média, fazem um risco curto no céu. Em geral os meteoros "mais bonitos" são aqueles visualizados a 90 graus da direção do ponto de radiância. Uma das características das Perséiades é a grande velocidade dos meteoros (cerca de 60 km/s em média, as maiores para meteoros). Isso se deve ao fato de que os meteoróides deixados pelo cometa Swift-Tuttle orbitam em torno do Sol no sentido oposto ao movimento da Terra; a velocidade deles se soma então à da Terra, para produzir uma grande velocidade em relação a nós. Por esse motivo, quase 50% dos meteoros observados durante as Perséiades produzem rastros de fumaça na atmosfera da Terra, que podem ser observados com binóculos. Aqueles que desejam fazer observações que possam ter interesse científico devem fazer anotações levando em conta as seguintes normas: a) conhecer as coordenadas geográficas aproximadas do local de observação; b) medir a porcentagem e a localização da região do céu obstruída por árvores, nuvens, edifícios,etc. c) marcar a hora e o minuto do aparecimento de cada meteoro, a sua magnitude (comparando-a com a de estrelas conhecidas e visíveis no momento da observação) e a direção de onde ele provém. Neste caso, verificar se a direção do movimento do meteoro coincide com a da constelação de Perseu. Se isso ocorrer, o meteoro é um Perseida (P); se não, ele é um não-Perseida (NP). d) anotar cuidadosamente a hora e o minuto do início e do término das observações, bem como os instantes em que se parou e se recomeçou a observar. O ideal é ter um companheiro para ficar encarregado das anotações; assim o observador não precisa tirar o olho do céu. Mas, na falta de um auxiliar para isso ou para revezar na vigia do céu, o observador deve anotar o tempo que leva para fazer cada anotação. e) anotar detalhadamente a variação de obstrução do céu por nuvens (porcentagem e quadrante do céu). Se você tiver um mapa do céu, vá marcando nesse mapa traços correspondentes aos meteoros que você estiver observando e verifique se de fato o prolongamento desses traços converge para a constelação de Perseus. A observação fotográfica exige um pouco de prática tanto de fotografia astronômica quanto de conhecimento de fotografia. Entretanto, esse pode ser um bom motivo para se começar no ramo. Para isso, precisa-se de uma câmera que tenha a possibilidade de manter o filme exposto por tempo indeterminado (posição B na roda de velocidades da máquina). Quanto mais simples for a câmera, melhor; as automáticas em geral gastam a pilha rapidamente quando deixadas em exposição por intervalos de tempo grandes. A objetiva ideal é a de 24mm ou 28mm (capta uma região maior do céu) mas a usual lente de 50mm pode ser usada. Quanto maior a abertura limite, melhor (f/1.8 e f/2 são ideais). São recomendáveis um cordão disparador e interruptor de fotografia a ser acoplado à máquina e um tripé. O filme a ser usado poderá ser o de slide (por exemplo Ektachrome 400 ou 800) ou de impressão em papel (Kodak Gold 400). É conveniente realizar testes no próprio local de observação, antes da noite das Perséiades, para verificar o melhor tempo de exposição sem que haja perturbação devido ao brilho do céu. Pode-se testar também a abertura da objetiva que permite maior tempo de exposição sem que o brilho do céu atrapalhe a qualidade da foto. Há basicamente dois modos de se fotografar uma chuva de "estrelas cadentes": o primeiro consiste em se apontar a máquina para uma determinada região do céu, fazendo exposições de duração entre 15 e 30 minutos (dependendo da sensibilidade do filme e do brilho do céu), interrompendo-as quando um meteoro cruzar o campo de visão da foto. Nesse caso, as estrelas de fundo se apresentarão como riscos devido ao movimento de rotação da Terra durante a exposição.O segundo método é fazer fotos com exposição entre 20 e 30 segundos com a maior abertura da máquina e torcer para que saia um meteoro na foto. Nesse caso, as estrelas passam a ter uma imagem pontual, mas o consumo de filme é muito grande. Em qualquer caso, não se deve esquecer de anotar o número, a hora e o minuto da foto, o filme e a abertura usados e a exposição dada, para que se possa ter informações úteis posteriores. Ao mandar revelar o filme, avisar que a fotografia é do céu noturno. O melhor é mandar revelar manualmente pois as máquinas de revelação automática muitas vezes não tiram cópias porque acham que a foto está escura demais. Outra regra útil é a de se bater a primeira foto de cada rolo durante o dia ou com muita luz; assim a pessoa (ou a máquina de revelação e cópia) saberá os limites de cada quadro e não cortará o negativo no meio da foto.
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