Contando Estrelas

 

Prof. Renato Las Casas (01/02/99)

 

 

A olho nu somos capazes de contar cerca de 6.000 estrelas no céu. Se usarmos um binóculo, mesmo pequeno, ou uma luneta como a de Galileo, esse número é capaz de ultrapassar 30.000. Através do telescópio principal do OAP somos capazes de observar mais de 1.000.000 de estrelas. Quantas estrelas existem no universo? Essa pergunta tem sido formulada há séculos e tem sido objeto constante de estudo dos astrônomos. Para tentarmos respondê-la, temos que lançar mão de modelos teóricos do universo, uma vez que mesmo através dos mais possantes telescópios já fabricados, não conseguimos ver uma ínfima parte das estrelas que acreditamos existir.

 

GALÁXIAS

 

Se olharmos para o céu, a noite, vemos as estrelas distribuídas aleatoriamente em nossa volta. Durante muito tempo a humanidade pensou que fosse assim por todo o universo. Hoje sabemos que as estrelas estão distribuídas em grupos imensos, aos quais denominamos galáxias. A distribuição das estrelas nas galáxias se dá de uma forma aparentemente aleatória, assim como a distribuição das galáxias no universo. Nós pertencemos a uma galáxia à qual denominamos Via Láctea, uma galáxia de tamanho médio comparada com outras que vemos. Devido às grandes distâncias envolvidas, até hoje só nos foi possível distinguir pouquíssimas estrelas em outras galáxias. Estimamos que existam entre 200 e 500 bilhões de estrelas na Via Láctea. Se soubermos, mesmo aproximadamente, o número de galáxias do universo, poderemos estimar assim o número de estrelas do universo.

 

O TELESCÓPIO HUBBLE

 

Em dezembro de 1995, por 10 dias consecutivos, o telescópio espacial Hubble manteve-se observando uma pequena região do céu, próxima ao pólo norte celeste, na constelação Ursa Maior, onde até então não se via um único objeto. O resultado dessa imagem de longa exposição foi além do previsto. Foram fotografadas milhares de galáxias, nunca antes vistas, nos mais diversos estágios evolutivos, algumas delas a mais de 12 bilhões de anos-luz da Via Láctea. Com base nessa imagem previu-se entre 2 e 3 milhões de galáxias por grau quadrado do céu, ou seja, entre 80 e 120 bilhões de galáxias possíveis de serem observadas pelo Hubble em todo o universo. O número real de galáxias existentes pode ser bem maior (10 vezes mais?), uma vez que mesmo através de um telescópio possante como o Hubble não podemos ver um grande número delas, devido aos seus poucos brilhos, ao fato de serem apêndices de outras galáxias maiores, à absorção de suas luzes por nuvens intergalácticas, etc.

 

Vendo os "confins do universo". Nessa imagem, com exceção do ponto mais brilhante, todos os outros correspondem a galáxias, algumas delas a 12 bilhões de anos-luz de nós.
Imagem tomada em dezembro de 1995

 

O sucesso dessa primeira imagem dos "confins do universo" feita pelo Hubble foi tão grande que foi planejada uma seqüência. Para essa segunda imagem chegou-se à conclusão que deveria ser fotografada uma região aproximadamente diametralmente oposta à primeira (do outro lado do universo), ou seja, uma região do hemisfério sul celeste. Era também necessária uma região cuja visão não fosse obstruída pela Terra durante toda a órbita do Hubble. Para essa segunda observação também julgou-se conveniente que na região estudada houvesse um objeto brilhante distante (um quasar). O estudo da luz desse objeto daria informações importantes sobre nuvens intergalácticas invisíveis que se encontrassem ao longo da linha de visão. Em outubro de 1997 foi selecionada a região a ser observada, na constelação Tucana, próxima ao pólo sul celeste, em torno de um quasar que se encontra a 9,5 bilhões de anos luz da Via Láctea.

 

Nova imagem dos "confins do universo". Em cada grau quadrado do céu o
telescópio Hubble é capaz de fotografar de 2 a 3 milhões de galáxias.
Imagem tomada em outubro de 1998

 

Em outubro de 1998 o Hubble passou 10 dias observando a região escolhida. Uma primeira conclusão já era esperada: O universo parece ser semelhante em qualquer direção observada. Também aqui foram fotografadas milhares de galáxias nas mais variadas faixas de distância e nos mais variados estágios evolutivos. Essa segunda imagem dos "confins do universo" foi feita tomando-se certos cuidados e usando-se certos equipamentos não usados em 1995. Às imagens tomadas na luz visível, por exemplo, foram sobre expostas imagens tomadas no infravermelho. Serão necessários vários anos para se analisar o obtido nessas imagens. Segundo Robert Williams, astrônomo coordenador do projeto, "essa promete ser a região mais estudada do céu nos próximos cinco anos". Uma outra conclusão a que já se chegou entretanto: O número de galáxias do universo deve ser pelo menos o dobro daquele que se pensava até então. Quantas estrelas existem no universo? Vamos considerar que existam mais de 1 trilhão de galáxias no universo e que cada galáxia possua em média pelo menos 100 bilhões de estrelas. Chegamos assim ao fantástico número de 100 bilhões de trilhões de estrelas, ou mais, no universo.

 

ALGUNS NÚMEROS PARA COMPARAÇÃO

 

Fios de cabelo na cabeça humana - 160 a 170 mil

Estrelas na Via Láctea - 200 a 500 bilhões

Galáxias no Universo - 1500 a 2500 bilhões

Células no corpo humano - 50.000 bilhões

Estrelas no Universo - mais de 100 trilhões de bilhões

 

Comparação entre a visão do telescópio Hubble e de um telescópio de solo.
Alguns objetos não vistos de solo podem ser objetos intrinsecamente fortes, porém distantes; outros podem estar relativamente próximos mas serem intrinsecamente fracos.

 

 

Conexão para

 

HUBBLE DEEP FIELD SOUTH

 

 

 


Leia mais sobre:

 

Estrelas           Galáxias           Observação