ORBITANDO UM ASTERÓIDE

 

Prof. Renato Las Casas (10/02/00)

 

 

Um pequeno resumo sobre asteróides pode ser encontrado nesse sítio, em "Assuntos Passados" / "Apocalipse" (Conexão no final desse texto).

 

           Asteróides com órbitas que os aproximam a até 1,3 UA (195.000.000 Km) do Sol e conseqüentemente os aproximam da Terra, são conhecidos como NEA (do inglês Near Earth Asteroids). Existem aproximadamente 800 NEAs conhecidos, sendo que pelo menos 700 deles são grandes o suficiente para mudar o curso da humanidade, caso caiam em nosso planeta.

          O maior NEA conhecido, o Eros, foi descoberto em 1898 independentemente por G. Witt (Alemão) e A. Chalois (Francês). Embora seja um NEA, a possibilidade do Eros um dia vir a se chocar com nosso planeta é remotíssima. Se isso viesse a acontecer poderia representar o fim da humanidade. As dimensões do Eros são aproximadamente 33 X 13 X 13 Km (estimamos que aproximadamente metade da massa de todos os NEAs somada pertença ao Eros).

          Embora já conheçamos asteróides por aproximadamente 2 séculos, muitas de suas propriedades básicas ainda são um mistério. Exatamente, de que material são feitos? Como se relacionam com os meteoritos encontrados na Terra? Como se formaram? Se formos destruir um, antes dele se chocar com a Terra, como devemos proceder? Respostas seguras para essas perguntas só serão possíveis quando nos aproximarmos o suficiente de um asteróide para medirmos com precisão sua massa/densidade; radiação; campo magnético; etc. Isso acontecerá a partir do dia 14 próximo, quando a nave norte americana NEAR (do inglês Near Earth Asteroid Rendezvous) entrará em órbita do Eros.

 

 

         A nave NEAR foi lançada em 17 de fevereiro de 1996. Aproveitando a velocidade de nosso planeta em seu giro em torno do Sol, a NEAR foi gradativamente se afastando da órbita da Terra, até que em 27 de junho de 1997 se aproximou (1.212 Km) e fotografou o asteróide Mathilde (Veja figura acima).

         A partir daí ela "mergulhou", ganhando velocidade enquanto novamente diminuía sua distância em relação ao Sol e se aproximava da Terra. Em 23 de janeiro de 1998 ela passou a apenas 540 Km da superfície de nosso planeta, sobre o sudoeste do Irã.

          Em posição e com velocidade adequadas a NEAR se dirigiu então ao Eros, quando deveria entrar em sua órbita em janeiro de 1999. No dia 20 de dezembro porém, durante uma manobra preparatória, a nave perdeu contacto com a Terra pos cerca de 27 horas. Foi então constatada a impossibilidade da missão ser executada na data prevista. A menor distância entre a NEAR e o Eros, nessa ocasião, foi de 3.827 Km e aconteceu em 23 de dezembro de 1998.

         Um novo programa foi traçado para a NEAR. Desde o final do ano passado ela vem "seguindo" o Eros com o objetivo de entrar em órbita a sua volta em 14 de fevereiro de 2000. Dia 8 passado foram iniciadas com sucesso as últimas manobras para atingir esse objetivo.

 

 

         A NEAR está equipada com modernos instrumentos de medida: um MAGNETÔMETRO (para mapear um possível campo magnético intrínseco do Eros); uma CÂMERA MULTI ESPECTRAL (para fotografia sem várias faixas -várias cores- do espectro); um ESPECTRÔMETRO INFRA VERMELHO (para decompor,medir e analisar a radiação infra vermelha emitida pelo Eros); um ALTÍMETRO LASER (para medir com precisão a distância ao Eros, assim como fazer o levantamento topográfico de sua superfície); um ESPECTRÔMETRO DE RAIO X e um ESPECTRÔMETRO DE RAIO GAMA (para decompor, medir e analisar os raios X e Gama emitidos pelo Eros).

 

 

         Dia 14 próximo, às 15:33h (horário brasileiro de verão) quando a NEAR estiver a apenas 333 Km do centro do Eros, terá início o processo de "entrar em órbita". A NEAR irá diminuindo sua velocidade até ser "capturada" pelo campo gravitacional do asteróide. A confirmação do sucesso da operação é esperada para as 16:30h.

         A partir daí, durante as primeiras semanas, a NEAR vai "descendo" vagarosamente na direção do Eros, em uma operação muito delicada. Qualquer pequeno erro pode fazer a nave se chocar com o asteróide. Usando a câmera multi espectral e o altímetro laser, cientistas e engenheiros da NASA vão colhendo informações sobre o formato, massa e campo gravitacional do Eros, para que essa operação possa ser executada com segurança.

         Ininterruptamente irão sendo feitas medidas do campo magnético do Eros. Essa será a primeira vez que conheceremos o magnetismo de um asteróide. Esse magnetismo está intimamente relacionado coma história térmica e de formação do astro.

 

 

         Nos primeiros dois meses a NEAR vai gradativamente "abaixando" sua órbita até chegar a 50 Km do centro do Eros. Aí então entrarão em ação os espectrômetros de raios-X e Gama, para medir a abundância de vários elementos constituintes desse asteróide. Raios-X provenientes do Sol, incidindo sobre o asteróide, podem produzir raios-X fluorescente, se na superfície do Eros tiver magnésio, alumínio, silício, etc. Similarmente raios cósmicos assim como partículas energéticas liberadas nas explosões solares, interagindo com elementos da superfície do Eros podem produzir raios Gama com informações sobre os níveis nucleares energéticos desses elementos.

         No final de agosto a NEAR começará então a "subir" em sua órbita até atingir 500 Km do centro do Eros. A câmera multi espectral continuará fotografando-o, obtendo dados que permitirão a compilação de um mapa detalhado da superfície desse asteróide.

      Em dezembro a NEAR voltará a "descer" em sua órbita, possivelmente a aproximadamente 1 Km da superfície do Eros. Será então a vez do espectrômetro infravermelho entrar em ação, colhendo dados que nos permitirão, por exemplo, detectar uma pedra tão pequena quanto uma laranja na superfície do asteróide.

         Medidas finais da missão, prevista para se encerrar em fevereiro de 2001, serão determinadas em breve.

 

 

 

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