FRED HOYLE

 

Prof. Renato Las Casas (27 de Agosto de 2001)

 

      Dia 20 passado, aos 86 anos, morreu Fred Hoyle, um dos mais brilhantes e criativos astrônomos do século XX. Um inglês "não muito típico", nasceu, viveu, trabalhou e morreu no Reino Unido.

      Esteve diretamente envolvido na elaboração de três "grandes teorias". Difícil dizer qual delas lhe deu maior reconhecimento ou mesmo em qual delas ele mais se empenhou.


      1 - Opunha-se com convicção à Teoria do Big Bang. Interessante ressaltar que o nome Big Bang foi "inventado" por Hoyle. Na década de 40, em uma série de programas populares de rádio na Inglaterra, Hoyle se referia sarcasticamente à teoria de "uma origem explosiva do Universo", como teoria do "Big Bang".

      Em 1948, Hoyle publicou a "Teoria do Universo Estacionário", que se contrapunha ao "Big Bang". Segundo Hoyle, o Universo não teria tido um início e a matéria está sendo constantemente formada. Segundo o Big Bang, matéria teria sido formada toda de uma vez, no início do Universo.

      Hoyle foi o maior opositor que a teoria "ortodoxa" do "Big Bang" já teve. A disputa "Universo Estacionário X Big Bang" foi intensa e durou até o início dos anos 70, quando dados observacionais acumulados (entre eles a descoberta da "radiação de fundo" em meados dos anos 60) praticamente confirmaram o "Big Bang", em detrimento da "Teoria do Universo Estacionário" de Hoyle.


      2 - Hoyle participou ativamente do desenvolvimento da teoria de formação de elementos atômicos pesados nas estrelas. Em 1957, juntamente com três colegas, publicou um artigo que se tornou histórico, onde era dado o "pulo do gato" para o entendimento do processo de formação desses elementos (Revista:"Reviews of Modern Physics"). Somos formados de "restos de estrelas que já existiram"!


      3 - Um dos grandes interesses de Hoyle foi Vida Extraterrestre. Acreditava na vulgaridade da vida no Universo, inclusive na existência de nuvens interplanetárias e interestelares de "bactérias e vírus". Foi um dos grandes defensores da "Panspermia", teoria segundo a qual a vida teria chegado à Terra em formas bem primitivas, como que "semeadas" do espaço, e que o seu desenvolvimento para as formas complexas de hoje foi ditado por códigos que essas formas primitivas possuíam.

      Juntamente com Chandra Wickramasinghe, seu colaborador de longas datas, elaborou a "Moderna Panspermia", segundo a qual a vida chegou em nosso planeta a bordo de cometas.

 

      

     Hoyle se dedicava, também com grande energia, à divulgação científica. Além da participação em programas de rádio e televisão, até os últimos meses de sua vida escreveu para jornais e revistas de grande circulação. Também disseminou as suas teorias através de livros populares, incluindo vários de ficção científica, entre eles os best-sellers "October The First Is Too Late" e "The Black Cloud".


      Durante a sua vida (criativa e provocativa!) Hoyle foi agraciado com vários prêmios e medalhas, onde merecem destaque "The UN Kalinga Prize"; "The Royal Medal of the Royal Society"; "The Gold Medal of the Royal Astronomical Society" e o "Crafoord Prize".

      Foi considerado injustiçado por não haver ganho o Prêmio Nobel juntamente com William A. Fowler (seu colaborador nas pesquisas de formação de elementos pesados nas estrelas). O Nobel foi concedido a Fowler notadamente por seu trabalho junto com Hoyle. A "Royal Swedish Academy of Sciences" haveria reconhecido o erro ao entregar em 1997 o Prêmio Crafoord a Hoyle. Esse prêmio é dado pela Academia a pesquisadores que se destacam em áreas não cobertas pelo Nobel.

      

 

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