Você seria capaz de viver sem marcar o tempo?
Nós, humanos, temos uma grande necessidade de marcar o tempo; não apenas
por questões práticas, mas também psicológicas.
Como marcar o tempo?
- Só tem uma maneira: tomando por base um evento físico que se repita
sempre de uma mesma forma, conseqüentemente, em um mesmo intervalo de tempo. Usamos então esse intervalo
de tempo como nosso padrão.
De
uma maneira geral podemos dizer que um Calendário consiste em um conjunto de
unidades de tempo (dias, meses, estações, ano, ...), organizadas com o
propósito de medir e registrar eventos ao longo de "grandes períodos".
HISTÓRIA
Existem indícios que mesmo em eras pré-históricas,
alguns homens já se preocupavam em marcar o tempo. Na Europa, há 20.000 anos, caçadores
escavavam pequenos orifícios e riscavam traços em pedaços de ossos e madeira,
possivelmente contando os dias entre fases da Lua.
Há 5.000 anos, os Sumérios tinham um Calendário bem
parecido com o nosso, com um ano dividido em 12 meses de 30 dias, o dia em 12 períodos e cada
um desses períodos em 30 partes.
Há 4.000 anos, na Babilônia, havia um calendário com um ano de 12 meses lunares que se
alternavam em 29 e 30 dias, num total de 354 dias.
Os egípcios inicialmente fizeram um
calendário baseado nos ciclos lunares, mas depois notaram que quando o
Sol se aproximava da "Estrela do Cão" (Sírius), estava próximo do Nilo
inundar. Notaram que isso acontecia em ciclos
de 365 dias. Com base nesse conhecimento eles fizeram um Calendário com
um ano de 365 dias, possivelmente inaugurado em 4.236 AC. Essa
é a primeira data registrada na história.
Quando Cabral chegou por aqui, encontrou os nossos índios medindo o
tempo pelos ciclos lunares. O Francês Paulmier de Gonneville na sua viagem ao Brasil
em 1503-1504 teria levado no seu retorno à França, o filho do chefe dos Carijós, com a promessa de trazê-lo de volta no prazo
de 20 Luas (Livro: Vinte Luas;
autor: Leyla Perrone-Moisés; editora: Companhia das Letras).
BASE
O Sol, a Lua e os seus ciclos
sempre chamaram a atenção do homem. Como não perceber o "nascer...por...
nascer..." do Sol? Como não perceber a mudança cíclica na forma como vemos a Lua
no céu? Prestando atenção,não é difícil perceber a mudança também cíclica do
posicionamento da trajetória diária que o Sol faz no céu; ou mesmo a sua
aproximação também cíclica às estrelas de fundo.
Em geral os Calendários se baseiam nos ciclos do Sol e/ou da Lua, que sã
o os objetos celestes que mais chamam a atenção do homem. Existem algumas exceções como o Calendário
dos Maias (2.000 a 1.500 AC) que além da Lua e do Sol, baseava-se também no planeta Vênus.
Imagine-se cidadão de uma sociedade primitiva.
O movimento do Sol no céu, "gerando" o claro/escuro, se impõe, sendo impossível não
ser percebido. Temos aí o "dia".
As fases da Lua e o seu movimento em relação ás estrelas também seriam percebidos
com facilidade, bastando para isso um mínimo de lembrança do passado. (Lembre-se que fora das grandes cidades atuais você vê
e veria a Lua com freqüência). Temos aí o conceito do "mês".
As sombras de árvores, pedras, etc., talvez
tenham sido os primeiros sinalizadores, para um observador mais atento,
indicando que o caminho diário do Sol no céu também muda em ciclos.
Esses ciclos também poderiam ter sido observados, pela primeira vez,
através do movimento do Sol em relação ás estrelas. Temos aí o "ano".
Seria muito simples (e quem sabe, definitivo!) fazer um Calendário se
os ciclos que determinam o ano (translação da Terra em torno do Sol) e o
mês lunar (translação da Lua em torno da Terra) compreendes em um
número inteiro de dias (rotação da Terra em torno de seu próprio eixo)
e fossem perfeitamente comensuráveis entre si. Pra complicar mais as
coisas, a duração desses ciclos oscila constantemente em torno de uma
média
que também varia ao longo dos séculos.
PERÍODOS
O "ano tropical" é definido a partir do
posicionamento do caminho diário do Sol no céu e equivale ao ciclo das
estações.
Atualmente corresponde a 365,242190 dias, mas
ele varia. Em 1900 correspondia a 365,242196 dias e em 2100
corresponderá a 365,242184 dias.
Esses números entretanto são médias. Devido à
influência de forças gravitacionais de outros planetas, a duração de um
ano tropical, em particular, pode variar por vários minutos em relação
a essa média. O tempo decorrido entre duas Luas Novas é chamado
de "mês sinódico" e atualmente corresponde a 29,5305889 dias; mas ele
também varia. Em 1900 correspondia a 29,5305886 dias e em 2100
corresponderá a 29,5305891 dias.
Também aqui estamos falando de médias. O
tempo decorrido entre duas Luas Novas pode variar por várias horas
devido a uma série de fatores, tais como a inclinação orbital da Lua. Como o ano tropical não corresponde a um múltiplo
inteiro do mês sinódico, não podemos ter um Calendário que mantenha uma
relação
intrínseca entre os seus dias e o posicionamento do Sol no céu
(Calendário Solar) ao mesmo tempo que mantém essa mesma relação entre
os seus dias e o posicionamento da Lua no céu (Calendário Lunar).
Entretanto 19 anos tropicais correspondem a
234,997 meses sinódicos (quase um número inteiro). Assim sendo, em um
Calendário Solar como o nosso, a cada 19 anos as fases da Luas e
repetem nas mesmas datas.
TIPOS
Na atualidade existem aproximadamente 40
Calendários em uso no mundo, que podem ser classificados em três tipos.
1- Solares: Baseados no movimento da Terra em torno do Sol; os meses não têm conexão com o movimento da Lua.
(exemplo: Calendário Cristão)
2- Lunares: Baseados no movimento da Lua; o
ano não tem conexão com o movimento da Terra em torno do Sol. (exemplo:
Calendário Islâmico)
Note que os meses de um Calendário Lunar,
como o Islâmico, sistematicamente vão se afastando dos meses de um
Calendário Solar, como o nosso.
3- Lunisolares: Os anos estão relacionados
com o movimento da Terra em torno do Sol e os meses com o movimento da
Lua em torno da Terra. (exemplo: Calendário Hebreu)
O Calendário Hebreu possui uma seqüência de
meses baseada nas fases da Lua mas de tempos em tempos um mês inteiro é
intercalado para o Calendário se manter em fase com o ano tropical.
CALENDÁRIOS CRISTÃOS
Os Calendários Cristãos têm anos de 365 ou 366 dias divididos em 12 meses que não estão relacionados ao movimento da Lua.
Paralelamente a esse sistema, flui o conceito
de "semana", em que os dias estão agrupados em conjuntos de sete. Esses
conjuntos vão se sucedendo sem manter relação direta com a Lua, o Sol
ou qualquer outro astro. Possivelmente
o conceito de semana surgiu da
necessidade religiosa de se homenagear cada uma das sete divindades
astronômicas então conhecidas (Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte,
Júpiter e Saturno) comum dia diferente para cada.
São dois os Calendário
Cristãos ainda em uso no mundo.
O Calendário Juliano foi proposto por
Sosígenes, astrônomo de Alexandria, e introduzido por Julio César em 45
AC. Foi usado pelas igrejas e países cristãos até
o século XVI, quando começou a ser trocado pelo Calendário Gregoriano.
Alguns países, como a Grécia e a Rússia, o usaram até o século passado.
Ainda é usado por algumas Igrejas
Ortodoxas, entre elas a Igreja Russa.
O Calendário Gregoriano foi proposto por
Aloysius Lilius, astrônomo de Nápoles, e adotado pelo Papa Gregório
XIII, seguindo instruções do Concíliode Trento (1545-1563). O decreto
instituindo esse Calendário foi publicado em 24 de fevereiro de 1582.
A diferença entre esses dois Calendários está
na duração considerada do ano (365,25 dias no Juliano e 365,2425 dias
no Gregoriano) e nas regras para recuperação do dia perdido,
acumulado durante os anos, devido à fração de dias na duração do ano
considerada.
Note que atualmente sabemos ser a duração do
ano tropical de 365,242190 dias. Devido às diferenças entre as durações
do ano consideradas nesses dois calendários e a duração
verificada, o ano tropical se defasa de 1 dia a cada 128 anos no
Calendário Juliano e a cada 3.300 anos no Calendário Gregoriano.
O Calendário Juliano estava 10 dias atrasado em relação
ao ano tropical quando o
Calendário Gregoriano foi
decretado. Por isso, constou da bula papal que 10 dias do mês de
outubro deveriam ser "pulados", passando o Calendário do dia 4 de
outubro, imediatamente para o dia 15. Os dias 5 a 14 de outubro de 1582
não constam da história daqueles países que imediatamente adotaram o
novo Calendário (Portugual, Espanha, Itália e Polônia).
CALENDÁRIO GREGORIANO
No Calendário Gregoriano o ano é
considerado como sendo de 365 + 97/400 dias (=365,2425 dias). Assim
sendo, no Calendário Gregoriano, existem 97 anos de 366 dias (que
chamamos de bissextos) em cada período de
400 anos.
Os anos bissextos são determinados pela seguinte regra:
1- Todo ano divisível por 4 é bissexto.
2- Todo ano divisível por 100 não é bissexto.
3- Todo ano divisível por 400 é bissexto.
O item 3 prevalece ao item 2 que por sua vez prevalece ao
item 1.
Os anos são formados por
meses constituídos por 30 ou 31 dias; com exceção de fevereiro
constituído por 29 dias nos anos bissextos e 28 nos demais anos.
DATA ORIGEM
Uma vez estabelecido como será um
determinado Calendário, surge outra questão: Quando cairá o primeiro
dia desse Calendário? Essa questão no nosso caso foi: A que dia da
história corresponderá o dia primeiro de janeiro do ano um?
O Calendário Cristão surgiu no ano
532 da nossa era. Era o ano 248 da era Diocletiana (os anos eram
Julianos e estavam sendo contados a partir de um decreto de
Diocletiano) quando Dionysius Exiguus, um calculista do Papa (fazia os
"complicados" cálculos para a determinação da Páscoa),
sugeriu que a contagem dos anos tivesse início no ano do nascimento de
Cristo. Não se sabe dos cálculos, provas, etc. que Dionysius teve para
fixar o nascimento de Cristo (erradamente) 532 anos atrás, no dia que
passou a ser 25 de dezembro do ano um.
O início da era Cristã ficou sendo, desta
maneira, 359 dias antes daquele que Dionysius presumiu ser o dia do
nascimento de Cristo.