O Que é um Planeta?

ou

Quantos Planetas tem o Sistema Solar?

 

Prof. Renato Las Casas (01/09/06)

 

24 de agosto de 2006 é uma data histórica. A partir desse dia passamos a ter uma definição científica, aprovada pela União Astronômica Internacional (IAU), para a palavra “Planeta”.  

A Palavra "Planeta"

Desde tempos imemoráveis o homem notou que no céu haviam o Sol, a Lua, e inúmeros “pontos de luz”. De vez em quando também aparecia um ou outro objeto meio nebular, que por parecerem ter uma cabeleira de luz, receberam o nome de cometas (“estrelas com cabeleiras”, do grego).

Olhando o céu, noite após noite, o homem logo reparou que  a grande maioria desses “pontos de luz” era “fixa”, uns em relação aos outros. Cinco desses pontos, porém, se moviam em relação aos demais e em relação a eles próprios. Esses “pontos de luz móveis” receberam o nome de planetas (“errantes”, do grego).  Eram eles: Mercúrio, Venus, Marte, Júpiter e Saturno.

 

Durante muito tempo pensamos que todo o Universo era constituído apenas da Terra, Sol, Lua, os cinco planetas e os “visitantes”  cometas. Tudo mais era como que uma “moldura” ou um “enfeite” para esse universo.

 

Para explicar os movimentos que observávamos no céu, Ptolomeu (120-180) propôs um “sistema planetário” com a Terra no centro. Planetas eram então os objetos (com exceção do Sol e da Lua) que giravam em torno da Terra.

Copernico (1473-1543) propôs um sistema com o Sol no centro e os planetas rodeando-o ao longo de órbitas circulares. Kepler (1571-1630) aprimorou o modêlo de Copernico. Desde Copernico, então, passamos a entender por “Planetas” aqueles objetos que giram em torno do Sol (com exceção dos visitantes cometas).

 

O telescópio foi inventado no início do século XVII. Pouco após a sua invenção Galileo Galilei, além de detalhes de objetos já conhecidos, descobriu quatro novos objetos do Sistema Solar. Esses objetos orbitavam Júpiter e foram considerados então luas de Júpiter. Naquele século, além de alguns cometas, também foram descobertas as cinco maiores luas de Saturno.

 

O primeiro objeto orbitando o Sol descoberto com telescópio (excetuando cometas) foi Urano, em 1781. Por ser um objeto orbitando o Sol, Urano foi prontamente e inquestionàvelmente chamado de planeta.

O segundo objeto orbitando o Sol descoberto com telescópio foi Ceres, em 1801. Por cerca de trinta anos Ceres foi considerado planeta. Pouco após a sua descoberta, entretanto, começaram a ser descobertos vários outros objetos menores, também rodeando o Sol, com órbitas próximas à órbita de Ceres. Ceres e esses objetos passaram a ser chamados “planetas menores” ou “asteróides”.

Netuno foi descoberto em 1846 e por orbitar o Sol e devido à sua grande dimensão, também foi inquestionávelmente chamado planeta. Plutão foi descoberto em 1930 e também foi prontamente chamado planeta, apesar da discussão proposta por alguns astrônomos: “Qual o tamanho mínimo que deve ter um astro que orbita o Sol para ser planeta?”

 

Ceres deixou de ser considerado planeta não apenas devido à sua vizinhança (Ceres rodeia o Sol com órbita próxima a de milhares de corpos menores. Essa região do Sistema Solar, que fica entre as órbitas de Marte e Júpiter, passou a ser denominada “Cinturão de Asteróides”); como também devido à sua pequena dimensão (O diâmetro de Ceres é estimado em aproximadamente 930 Km).

Plutão, apesar de ter mais do dobro do tamanho de Ceres (2.250 Km de diâmetro) também é muito pequeno comparado com os demais planetas. (Mercúrio tem 5.100 Km). Seria o tamanho de Plutão o limite mínimo que um astro deveria ter para ser planeta? De certa forma, criou-se um consenso nesse sentido.

 

Um "novo" Sistema Solar 

 

Em meados do século passado foram elaborados modelos que previam vastas regiões de “objetos transnetunianos” (objetos com órbitas externas à órbita de Netuno). Esses modelos surgiram para explicar a origem dos cometas e foram elaborados a partir da análise das órbitas desses objetos.

 

As órbitas dos cometas são bastante elípticas (“circunferência achatada”). A distância do cometa ao Sol varia muito ao longo de sua órbita. Ele vem pras regiões internas do Sistema Solar para em seguida voltar pras regiões transnetunianas em período dependente dessa órbita.

Cometas de curto período (período inferior a 200 anos) têm órbitas em planos próximos ao plano das órbitas dos planetas; cometas de longo período (de centenas a centenas de milhares de anos) têm órbitas em planos com as orientações as mais variadas (parecem vir de todas as direções do céu).  

 

          Em 1950, Jan Hendrik Oort (1900-1992) propôs serem os cometas de longo período provenientes de uma imensa "nuvem" de núcleos cometários orbitando o Sol, em órbitas aproximadamente circulares, a distâncias que variam de 30.000 UA a mais de 60.000 UA do Sol (1 UA = distância Terra-Sol). Seriam mais de um trilhão de objetos, dos mais variados tamanhos. Quando perturbados esses objetos começariam um movimento de "queda" pras regiões internas do Sistema Solar (adquiririam órbitas bastante elípticas), tornando-se assim cometas de longo período.

Oort chegou a essa conclusão fazendo o “prolongamento” das órbitas desses cometas e verificando que seus afélios (ponto da órbita mais distante do Sol) sempre se encontram nessa “distante casca esférica que nos envolve”.

          Essa "casca" é chamada de "Nuvem de Oort". 

 

          Em 1951, Gerard Peter Kuiper (1905-1973) fez uma proposta semelhante à de Oort, para explicar a origem dos cometas de curto período. Segundo Kuiper esses cometas são oriundos de uma região plana, coincidente com o plano das órbitas dos planetas, com início logo após a órbita de Netuno (aproximadamente 30 UA do Sol) e se extendendo até aproximadamente 100 UA. Essa "arruela" de núcleos cometários é chamada de "Cinturão de Kuiper".

        Estima-se que o Cinturão de Kuiper seja constituído por dezenas de objetos com mais de 1.000 Km de diâmetro; por volta de 10.000 objetos com mais de 300 Km; 35.000 com mais de 100 Km; 3.000.000 com mais de 30 Km; etc.

          Esses objetos estão em órbitas quase circulares em torno do Sol. Quando um desses objeto é perturbado ele pode “cair” pras regiões internas do Sistema Solar, ganhando órbita bastante elíptica, tornando-se assim um cometa de curto período.

 

          Plutão e sua lua Caronte seriam um planeta e uma lua entre esses objetos ou seriam apenas dois dos objetos do Cinturão de Kuiper?

 

 

 

Descobertas Recentes

 

         Já foram observados mais de 800 objetos do Cinturão de Kuiper. Alguns desses objetos com tamanhos bem próximos ao de Plutão (Quaoar: 1.280 Km; 2004DW: 1.600 Km; Sedna: 1.800 Km) e um inclusive maior (UB313, ou Xena, descoberto em 2003, com 2.600 Km de diâmetro). 

 

         Essas ultimas descobertas tornaram a situação insustentável.

         Seriam Quaoar, 2004DW, Sedna, Xena e vários outros a serem descobertos, chamados de planetas? Plutão continuaria sendo chamado de planeta?

         Precisávamos urgentemente de uma definição científica para essa palavra.

         Poderíamos fazer essa definição únicamente por tamanho? Se assim for, poderíamos arbitráriamente escolher um tamanho mínimo para um corpo ser chamado de planeta? Ou essa definição deveria levar em consideração a história (incluindo a formação) daquele astro? A vizinhança do astro poderia refletir essa história? Poderíamos fazer essa definição únicamente pela vizinhança do astro?

 

 

Continua . . .

 

 

Veja:

Objetos Transnetunianos

 

 

 


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Sistema Solar